sexta-feira, 15 de abril de 2011

Tributos x Mentira

A Folha de São Paulo veículou na data de ontem matéria eletrônica informando que a tributação que incide sobre o tablet da Apple o torna, no Brasil, o produto mais caro do mundo.

Inicia sua matéria com a nítida discrepância de quem não toma cuidado na redação: primeiro diz que "Segundo dados fiscais aos quais a Folha teve acesso, praticamente 51% do valor pago pelo importador corresponde a essas taxas governamentais."  Depois segue asseverando que: "Com a distribuição para as lojas, outros impostos recaem sobre o aparelho. Isso significa que, dos R$ 1.399 pagos pelo brasileiro no modelo mais simples do tablet da Apple, R$ 560 --ou quase 40%-- são impostos."

Fica a pergunta: afinal a carga tributária impacta em 51% ou quase 40%????

A julgar pela ilustração que a Folha ostenta na matéria em questão (http://www1.folha.uol.com.br/mercado/902389-metade-do-preco-do-ipad-vendido-no-pais-e-imposto.shtml) a segunda hipótese é a mais correta.

Em dezembro de 2010, assim eram os preços nos principais países compradores de IPAD:

Hoje as coisas mudaram um pouco e os preços por aqui já estão melhores mas ainda assim caros.

Pois bem, o aparelho mais barato nos EUA custa US$499,00 ou cerca de R$ 798,40, com os impostos. Tal preço é o do lojista que tem, portanto, seu lucro embutido no valor final. Por certo que nossos revendedores não comprarão ao preço de varejo mas de atacado, cujo valor é bem menor.

Logo, mesmo sem qualquer imposto agregado como sugere a Folha, o IPAD chegaria aqui a preços ainda superiores aos dos EUA pois o seria da ordem de R$ 840,00 (oitocentos e quarenta reais). Provavelmente também seria maior do que aquele praticado nos demais países...

Essa diferença singela no preço é emblemática: tudo chega aqui mais caro que noutros países mesmo quando se retira o imposto e a culpa é dos impostos???


quinta-feira, 14 de abril de 2011

Mundos paralelos

Por vezes eu penso que algumas pessoas vivem em mundos paralelos segregados segundo critérios aleatórios.

Mais precisamente homens e mulheres.

Quando ouço reclamações das mulheres quanto aos homens não serem dignos de admiração, não serem românticos, não mandarem flores, não se entregarem aos relacionamentos e por aí me sinto tão incrédulo que, sim, tenho a impressão de que vivemos em dois mundos: o mundo imaginário da mulher, em que ela é rainha e um ser perfeito e serviçal está aos seus pés para saciar-lhe todos os caprichos; e o mundo real em que homens imperfeitos se esforçam ao máximo para serem bons companheiros, bons amigos e bons amantes para suas mulheres tendo, como contrapartida, uma incansável chuva de reclamações.

A esmagadora maioria dos homens que eu conheço, na faixa etária entre 30 e 60 anos, compram flores para suas mulheres, acompanham-lhes ao mercado e à feira, participam das tarefas da casa, são sensíveis, são parceiros no lido com as questões filiais e se esforçam por serem melhores que seus antepassados.

Mas, claro, não são perfeitos!

Ou as mulheres não sabem mais identificar os homens bons, ou estão em meio a um grupo de pessoas sem refinamento algum ou vivem no mundo das idéias, enfeitiçadas por fantasias românticas que não têm lugar nem mesmo em obras da Jane Austen.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

A importância do "cabide"

O filme "Se beber não case" foi uma comédia hilariante, dessas que pega todo mundo de surpresa com sacadas interessantes. Serviu para alavancar a carreira de seus protagonistas que desde então são chamados para diversas outras produções e para encher de grana o bolso dos produtores que foram pegos de surpresa.

Além do veio humorístico, um desses atores parece despontar como o galã do momento.

Atuando não só em comédias mas em filmes de aventura, ação e ficção o bonitão aí de cima, chamado Bradley Cooper, é o astro de um filme de ação/suspense/ficção em cartaz: "Sem Limites".

Filme típico hollywoodiano, para puro entretenimento, ele cumpre seu papel de divertir e draga em torno de 02 horas de sua vida sem que você nem perceba. Vale à pena assistir.

Mas, este post não foi criado para fazer apologia ao filme.

Na verdade, a questão é outra e está mais ligada ao bonitão...

Durante o filme ele traja um elegante costume (terno sem o colete) azul escuro com risca de giz azul clara, às vezes usando uma camisa azul de cor semelhante à risca, às vezes uma de cor lilás.

Quando ele apareceu trajado assim, com a camisa azul, minha mulher que estava ao meu lado sussurou no meu ouvido: "Nossa Marcos, que roupa linda".

Minha resposta foi: "Você não notou que eu uso um terno idêntico e com camisa idêntica?"

O resultado foi um "Nossa...é mesmo!!!" seguido de uma risdada contida para não atrapalhar os demais espectadores.

E era verdade: quando o figura aí de cima apareceu no telão trajando essa roupa, imediatamente eu pensei que alguém tinha passado lá em casa em pego minhas roupas sem ninguém ver...rsrsrs

Agora, o curioso é que minha mulher nem notou essa "semelhança".

Ora, o costume e as camisas estão lá, tal qual no figurino do personagem e eu as uso com certa frequência.

Mas, claro, a tal roupa em mim fica elegante. Já essa mesma roupa nele o torna "notável".

Por que? Bom, como diria uma amiga, a importância do traje, na verdade, está no "cabide".

Ai que saudade dos meus 30 anos...rsrsrs

terça-feira, 12 de abril de 2011

Rotulando o pensamento

Quem acompanha este blog já deve ter notado que vez por outra trato de assuntos polêmicos.

São assuntos que permeiam nosso dia a dia mas que muita gente não se digna a discutir, seja porque incomodam muito, seja porque dão trabalho, seja porque não lhes afeta mesmo e por isso não merece - não opinião de muitos - qualquer reflexão (até a questão passar a lhes dizer respeito).

Ao ensejo do episódio da Geissy Arruda eu defendi o direito da mulher usar roupa curta ou decotada, em situações comuns do cotidiano, sem ser chamada de vagabunda por isso e sem ser hostilizada. Na época fui aclamado por algumas pessoas como um "liberal contrário aos bons costumes".

Quando defendi que textos "quentes" veículados na escola e que imagens contendo nudez já fazem parte de nossa cultura de modo que manifestações de moralismo me pareciam hipocrisia  num país que em que as mulheres mesmo se coisificam, em que a nudez e o sexo nas novelas é visto por todos de qualquer idade em horário nobre ou que paparica gente oportunista/golpista como celebridades, fui taxado de "libertino".

Quando defendo a postura masculina contra as constantes exigências e críticas desproporcionais das mulheres, contra a vitimização das mulher ou quando manifesto contrariedade ao endeusamento das mulheres sou chamado de "machista".

A reação é a mesma quando manifesto contrariedade à mania de algumas pessoas acreditarem que mulheres são seres inferiores e que não podem, por exemplo, exercitar cidadania ou sexualidade com a mesma desenvoltura que os homens sem serem execradas. Nesse caso sou condenado pelos meus pares por ser um "feminista".

Se mostro como o PT não presta, sou um direitista. Se jogo luzes sobre o lixo que é o PSDB, sou um petista. Se falo que o PV é imprestável, sou alienado.

Ultimamente venho expressando minha indignação com o desrespeito aos direitos fundamenatais dos homossexuais e por isso há quem me julgue um "enrrustido".

Rótulos e mais rótulos que na verdade só servem para demonstrar que as pessoas ainda se enclausuram em seus pensamentos, não se permitindo ver o mundo de maneira global e confundindo o pensamento com a pessoa que o expressa.

Ainda persiste a mania de se pensar dividindo a sociedade entre o "eu" e o "eles", nunca unificando-a no conceito de "nós".
Ser rotulado é um saco. Não ser compreendido é uma merda. Mas se for para rotular meu pensamento, prefiro que me chamem de humanista. Afinal, tudo quanto eu penso ser certo defender não está no nível sectário mas num ideal comunitário de respeito à diversidade, de respeito ao ser humano.


Mensagem subliminar

Aquele ditado que diz que de noite todo gato é pardo faz rir mas deveria fazer refletir.
É que a noite dá guarida ao lado inconfessável das pessoas, escondendo seus defeitos e seus vícios. Esconde também seus medos e suas fragilidades.

Não é à toa que a noite não é só objeto de alegoria retórica: a ela recorrem todos os que querem não ser notados, a todos os que querem esconder dos olhos alheios suas vicissitudes e suas vulnerabilidades.

Assim como o Lobisomen e o Vampiro, seres bestiais que representam o alterego do ser humano, nossos monstros pessoais e nossos segredos inconfessáveis sentem-se confortáveis no silêncio e na escuridão da noite porquanto nasceram da escuridão de nosso próprio ser.

Talvez por isso muita gente não consiga dormir de luz apagada: na total escuridão é que vive o bicho-papão e se espera que um facho de luz possa afugentá-lo!

Daí que o tal verbete popular traz uma mensagem subliminar: a de que todos se igualam na escuridão porque todos nós, bons cidadãos e maus cidadãos, bons pais e maus pais, bons cônjuges e maus cônjuges, trazemos a marca indelével da falibilidade humana que a todos reduz e nivela.

Algo como atire a primeira pedra quem nunca pecou...

Sentimentos e atos nem sempre sublimes, nem sempre nobres, nem sempre altivos, quem nunca sentiu ou praticou?

A ausência de luz, as trevas, são sempre usadas para ilustrar o que há de mais baixo no espírito humano e como contraponto está, sempre, a luz que representa a elevação espiritual e intelectual.

O ser humano é como um período de 24hs: tem a noite e tem o dia, para lembrar que ambos coexistem sem conflito num mesmo período e para lembrar que não existiria um sem o outro.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

As faces da intolerância

Cada dia é uma notícia nova sobre agressões a homossexuais, semana passada mais uma pessoa morreu em função da intolerância: um garoto matou a namorada da irmã!

A intolerância é insidiosa em nosso país e tem força nos meios religiosos.

Ela cresce e permeia nossos caminhos. É fomentada silenciosamente em nossas famílias, entre nossos amigos, junto aos nossos governantes resultando nessa onda de violência homofóbica que temos visto ultimamente.

Gente que diz "Eu aceito gays, desde que não seja meu filho" é preconceituoso, SIM! Mas é melhor quem mostra a cara do que quem se esconde, pois contra esse não poderemos lutar.


terça-feira, 5 de abril de 2011

Dia da Fortuna

Na Roma antiga hoje tinha início o "Festival da Boa Sorte", em homenagem a deusa Fortuna, regente da sorte (boa ou má), da esperança e da prosperidade.

Sua imagem era representada como uma mulher portando uma cornucópia e um timão. Aparentemente tais apetrechos simbolizavam a distribuição de bens e a coordenação da vida dos homens. Também era representada com a vista tapada simbolizando a distribuição aleatória de seus desígnios.

Também entre os gregos havia uma deusa da sorte, seu nome era Tiquê que tem na constelação de Virgem sua identificação celestial.

Essas deusas do mundo antigo são a representação mais cabal de que o ser humano sempre acreditou que a sorte, os revéses e a aleatoriedade estavam presentes na vida humana, permeando nossos caminhos e nossas decisões.

Quantas vezes eventos fortuitos atravessam nossas vidas destruindo nossas conquistas e nossas perspectivas? Quantas vezes vemos a vida de alguém ceifada no auge de sua ascendência ao sucesso? Quantas vezes um fato acaba por tolher nossas ambições?

Mas o que fazem os homens de hoje, já que não acreditam em Tiquê ou em Fortuna?

Continuam atribuindo à vontade divina!

Os espíritas acreditam que é um preço criado por deus e que o mortal está pagando nesta reencarnação pelos pecados cometidos noutra e que só assim aprenderá e ascenderá na evolução espiritual. Assim como o karma para orientais.

Os judeus e os cristãos acreditam que é a vontade de deus, seja seu merecimento, seja sua provação, seja lá o que for, como os desígnios de deus são desconhecidos, basta ter fé.

Enfim, séculos se passaram e continuamos, basicamente, os mesmos neste assunto.

Agora, por que eu gosto da Roma Antiga? Porque para tudo se festejava! Eita povo festeiro...

Com sorte ou sem sorte, vamos festejar o dia de hoje, esperando por dias melhores.


segunda-feira, 4 de abril de 2011

Mulheres x MMA

Não são só os atletas que ficam sarados treinando luta. Lutando Jiu Jitsu, Muay Tai e Box as mulheres vieram para arrasar no MMA.

Gina Carano é um exemplo disso:


Latsha Marzolla...





Miesha Teate é outro:


E, claro, a brasileira Kyra Gracie...



Bom, diante desta última foto e do meu atual estado físico, acho que também está na hora de eu mesmo procurar uma academia....rsrsrs

Estou "de mau" comigo mesmo

Quem acompanha este blog sabe que eu não tenho por costume escrever sobre fatos relevantes de minha vida íntima por aqui: não falo sobre minha vida familiar, profissional, pessoal, financeira, moral, sexual, psicológica ou matrimonial.
Claro que, sendo o blog uma espécie de diário ("web" e "log"), se presume que aqui estão postados assuntos pelos quais me interesso, assuntos que me geram comoção e assuntos que reputo importantes, tudo, obviamente, sempre acompanhado da minha forma pessoal de encarar a questão, minhas opiniões e comentários. Às vezes dou, até mesmo, uma de advogado do diabo, mas a idéa é a reflexão mesmo, tal como me propus originalmente.

Hoje, porém, cabe uma exceção! Falarei sobre algo pessoal.

Ando já há algum tempo zangado comigo mesmo: estou envelhecendo e não estou gostando da forma como isso está acontecendo. 

Até mesmo gostar de coisas que antes não gostava, vez por outra me incomoda.

Não tenho gostado da forma como me vejo no espelho, não gosto desta minha barriguinha (no diminutivo para ser gentil comigo mesmo) de homem descuidado que já alcançou os 40 anos e não consegue perder peso.

Muitas outras coisas me incomodam mas dentre todas elas uma especialmente tomou relevância nos últimos tempos: estou ficando um "cricri".

Olho atentamente ao meu redor e parece que só vejo gente civica e politicamente ignorante!

Isso não me incomodava antigamente mas hoje tem se transformado num tormento pessoal e passo por intolerante.

Explico: o sujeito reclama de São Paulo, do Brasil, da bagunça que as coisas são aqui e blablabla! Ele próprio ajuda a que as coisas sejam como são. Afinal ele joga lixo na rua, passa em semáforo vermelho, anda com o cachorro na calçada sem recolher suas fezes, faz conversões proibidas, não respeita faixa de pedestre, anda em alta velocidade, sobre com o carro ou moto sobre a calçada, faz construção irregular, sonega impostos e por aí vai.

Mas aí ele viaja pro exterior e acha tudo lá lindo e maravilhoso, respeita tudo e tal, volta para o Brasil encantado com a beleza e com a honestidade européias, com a limpeza e com a ordem norteamericanas...Por que diabos não faz isso aqui também?

O cara reclama que São Paulo anda largada: cidade está suja como jamais se viu, ruas cheias de buracos, enchentes, semáforos sem funcionamento, praças abandonadas e tomadas por matos, calçadas de dar vergonha, mendigos por todas as partes...uma tristeza!

Mas aí quando esse mesmo cara diz em quem votou para prefeito, a resposta vem: KASSAB!

Oras, ele votou num político cuja história está ligada a participação em partido (DEM/PFL) com histórico extenso de ligações de muitos de seus candidatos a corrupção e fisiologismo; com sua história ligada a administrações públicas anteriores desastrosas como as gestões de Pitta e Maluf; com sua candidatura apoiada por um tucano que traiu os eleitores (Serra) e por outro político execrado pelos eleitores (Quércia).

Não bastasse, veja só como esse senhor se comporta enquanto representante da maior cidade da América do Sul:

(isso lá é modo de se comportar???)

Tudo isso era possível de se saber antes de votar nele e agora vem reclamar? Oras, seu voto foi essencial para que São Paulo tenha se tornado o que se tornou. Esse eleitor é cúmplice do político miserável que conduz São Paulo.

Sabe por que esse estado atual de Sampa o está incomodando? Porque a merda em que esta cidade vem se transformando agora bate na porta dele. Agora inviabiliza a vida dele. Não é como antes em que isso ficava restrito à periferia...

Minha própria mãe votou no Kassab. Muita gente que conheço votou nesse incompetente.

Mas minha mãe não é pessoa culta, assim como não o são outras tantas. Minha mãe acostumou-se que "político é assim mesmo". Minha mãe é do tipo que compra a idéia política dos formadores de opinião que, maciçamente, fizeram campanha contra a Marta Suplicy e hoje - como se pode notar pela última VEJA - publicam as mazelas da cidade com a amargura de quem teve diarréia sem condições de chegar ao banheiro e tirar a calça.
Por isso que quando falo "o cara" não estou me referindo a alguém em especial mas as várias pessoas que conheço e que têm condições culturais para saberem votar mas votaram nessa peste.

Me tornei chato porque não aceito mais que gente que tem cultura e conhecimento cometa tais erros: quem votou no Kassab o fez porque Kassab era o representante da elite e era contra a Marta, não votaram no Kassab por consciência política! Tinham tudo nas mãos para saber no que iria dar e agora reclamam diante de sua própria inépcia que a todos prejudicou e continua a prejudicar? Como assim?

Sei que também fiquei chato e exigente como tantas outras coisas e isso não me deixa nada feliz.

Estou numa insatisfação grande e espero que passe logo.