Quem não se pergunta: passei por esse mundo incólume mas fiz alguma diferença na vida de alguém?
Acho que isso tem a ver com a busca de um sentido na atividade de viver ou com o desejo vaidoso de deixar um legado, um pedaço de si no mundo de forma a perpetuar a própria existência e torná-la eterna. Algo talvez relacionado ao medo de que a morte ponha um ponto final em tudo o que se fez e se acreditou ao longo da existência.
Freudiano, não! Tá me parecendo que a explicação talvez achemos nas obras de Sartre. Nunca tive paciência de ler "O SER E O NADA", sua obra existencialista sobre essa angústia humana.
O fato é que ainda que algumas pessoas possam ter consciência e certeza íntima de que fizeram diferença na vida dos outros, o reconhecimento por parte desses últimos é como um prêmio.
Talvez por isso tanta gente queira ter um filho, afinal quase sempre os pais influenciam a vida dos rebentos e não raramente são recompensados com o carinho e com a gratidão esperados sabendo, sobretudo, que sua semente prosperará na pessoa de seus netos e bisnetos. Quem sabe até esteja aí a raiz da homofobia: para quem quer ver sua "semente" prosperar ficaria difícil aceitar que seu filho (a) homossexual encerraria a perpetuação genética da família.
De todo modo, quando alguém que não é seu filho lhe diz claramente que você mudou a vida dele, quando alguém olha nos seus olhos e confessa espontanea, desinteressada e honestamente que a vida dele jamais seria a mesma sem você, que não passa um dia sem atribuir ao seu talento, ao seu amor, à sua amizade, ao seu carinho, à sua atenção e a sua sabedoria o rumo positivo que a vida dele tomou, acredite, isso é algo energizante e muito, mas muito, recompensador.
Agora se você ouve isso de pessoas diferentes, que não se conhecem e em momentos distintos desabafam esse reconhecimento aí o resultado íntimo é ainda mais gratificante.
Se eu morresse hoje, morreria em paz por saber disso. Algo como uma sensação tranquilizadora de que minha existência nesse mundo não foi em vão.




