quarta-feira, 30 de junho de 2010

Um jornal do futuro que não liga para o passado...

Um dos maiores jornais do país passou nesta terça-feira por uma situação extremamente desagradável ao publicar um anúncio que deveria ter sido este:

traduzindo: QUE VENHA A PRÓXIMA. VAI QUE DÁ BRASIL!


Mas que na verdade foi este:

que quer dizer: A SELEÇÃO SAI DO MUNDIAL. NÃO DO CORAÇÃO. VALEU BRASIL...


Ocorre que agências de publicidade e veículos de comunicação quando querem aproveitar um momento com anúncios de oportunidade, ao invés de esperar ou tentar prever o futuro, eles já deixam as alternativas criadas. No caso da publicidade para o supermercado Extra, foram criados dois anúncios, um caso o Brasil ganhasse o jogo contra o Chile, outro caso o Brasil perdesse. Ambos estavam nas mãos do jornal, bastava aguardar o resultado e imprimir. Pois aconteceu. Falha humana. E que falha.
Abílio não gostou nada nada do ocorrido e twittou.


Fato é que aquele que está investindo para ser o jornal do futuro deixou que o passado (recente) fosse modificado em um simples anúncio. Ninguém revisou isso? Será que esta responsabilidade era de apenas um indivíduo? Como isso aconteceu? O que fazer depois de uma dessa? Sobrou para quem?


Jabulani pra frente que a Holanda vem ai...e novos anúncios do Extra também! (será?)

Nossa truculência - Clarice Lispector

Quando penso na alegria voraz
com que comemos galinha ao molho pardo,
dou-me conta de nossa truculência.


Eu, que seria incapaz de matar uma galinha,
tanto gosto delas vivas
mexendo o pescoço feio
e procurando minhocas.


Deveríamos não comê-las e ao seu sangue?
Nunca.


Nós somos canibais,
é preciso não esquecer.
E respeitar a violência que temos.
E, quem sabe, não comêssemos a galinha ao molho pardo,
comeríamos gente com seu sangue.


Minha falta de coragem de matar uma galinha
e no entanto comê-la morta
me confunde, espanta-me,
mas aceito.


A nossa vida é truculenta:
nasce-se com sangue
e com sangue corta-se a união
que é o cordão umbilical.


E quantos morrem com sangue.
É preciso acreditar no sangue
como parte de nossa vida.
A truculência.
É amor também.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Vibrador Ecologicamente Correto: a sustentabilidade levada a sério!

Dessa vez quem tratará aqui de sustentabilidade não é o Renato.

Tem gente que leva esse assunto a sério: usa panos ao invés de absorventes íntimos, tem composteira em casa mesmo com todo o trabalho que dá, não acende as luzes, não usa chuveiro e torneiras aquecidas à gas, faz xixi enquanto toma banho para economizar a àgua do aparelho sanitário, usa roupas íntimas até fazer buracos e depois reaproveita como pano de chão (há também aqueles que não usam porque é ecologicamente mais razoável), não come carne de vaca para que não substituam árvores por pasto, não come carne de porco porque este animal gera 3x mais degetos que um ser humano, não come soja para evitar que seu plantio desmate a amazônia e por aí vai.

Agora, há mais uma invenção sustentável: VIBRADOR VERDE!

Chama-se: Earth Angel.

Segundo divulgado, o equipamento para momentos de prazer solitário é feito com material reciclável e funciona sem pilhas graças a um mecanismo que se recarrega com uma manivela escondida na base do brinquedinho.

Basta girá-la por quatro minutos que haverá energia suficiente para obter 30 minutos de "vibrações máximas".

Para minha surpresa, parece que o brinquedinho já vendeu mais de 1.000 exemplares a 70 euros (US$ 100) desde abril/2009.

O único senão é: o dildo ecológico está sendo produzido na China.

Afinal, não me parece possível nos dias de hoje que "China" e "sustentabilidade" possam coexistir pacificamente numa mesma frase!

Dilema do prisioneiro e as eleições

O dilema do prisioneiro é um problema da teoria dos jogos. Neste problema, como em outros muitos, supõe-se que cada jogador, de modo independente, quer aumentar ao máximo a sua própria vantagem sem lhe importar o resultado do outro jogador.

Todavia, cada jogador pode escolher trair o outro mas curiosamente ambos os jogadores obteriam um resultado melhor se colaborassem.

Infelizmente (para os prisioneiros), cada jogador é incentivado individualmente para defraudar o outro, mesmo após lhe ter prometido colaborar. Este é o ponto-chave do dilema.

O dilema do prisioneiro (DP) dito clássico funciona da seguinte forma:

Dois suspeitos, A e B, são presos pela polícia. A polícia tem provas insuficientes para os condenar, mas, separando os prisioneiros, oferece a ambos o mesmo acordo: se um dos prisioneiros, confessando, testemunhar contra o outro e esse outro permanecer em silêncio, o que confessou sai livre enquanto o cúmplice silencioso cumpre 10 anos de sentença. Se ambos ficarem em silêncio, a polícia só pode condená-los a 6 meses de cadeia cada um. Se ambos traírem o comparsa, cada um leva 5 anos de cadeia. Cada prisioneiro faz a sua decisão sem saber que decisão o outro vai tomar, e nenhum tem certeza da decisão do outro. A questão que o dilema propõe é: o que vai acontecer? Como o prisioneiro vai reagir?

Notaram alguma semelhança entre esse jogo e os votos numa eleição?
 
 

sábado, 26 de junho de 2010

"Você confiaria seus filhos para a Dilma de babá?"



Parece ter sido essa a frase postada no Twitter ontem pela vereadora do PSDB-SP Mara Gabrilli (foto acima) ao comentar a pesquisa do Ibope que coloca Dilma à frente de Serra.

Isso ilustra o nível de nossos representantes: qual a relação entre ser babá e ser Presidente da República de um país?

Filho, já dizia um amigo meu, é como "pum": "Só aguenta que o fez".

Cuidar de criança, como fazem professores, enfermeiras e babás, exigem habilidades especiais - como em qualquer outra atividade profissional - e isso (até onde eu saiba) não é requisito para ser um Presidente da República.

Será que não tem nada melhor para se usar contra a candidata? Porque se uma mulher enfronhada na política vê nisso uma reflexão ou um argumento político estamos diante de um mal sinal.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Millor Fernandes - para acabar a semana

"Diga-me com quem andas e dir-te-ei [que língua, a nossa!] quem és. Pois é: Judas andava com Cristo. Cristo andava com Judas."


Bom final de semana a todos ao som de Iggy Pop!

Campanha discreta vira mega campanha

Camisetas promocionais? Isso é coisa do passado. Se você ainda prefere ver sua marca estampada nas camisetas que dá de brinde a seus clientes e amigos, saiba que isso é coisa do passado. Para que investir em camisetas no bairro se você pode atingir o mundo. Lembra do Romão Magazine? Ele levou para jogos do Brasil em Copas anteriores uma faixa enorme, que era vista nas TVs do mundo todo. A FIFA passou então a proibir esse tipo de publicidade gratuita. Agora as meninas holandesas conseguiram fazer a divulgação de uma marca de cerveja, apenas trajando um vestidinho laranja, que remete a uma publicidade da Bavaria. A campanha não teria sido bem sucedida se elas não tivessem sido recriminadas e presas. A repercussão gerou muito mais divulgação que a simples presença delas no estádio.
Parabéns aos idealizadores.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

"Não importa o que a vida fez com você, mas o que você faz com o que a vida fez com você"

YOUR HEART IS AS BLACK AS NIGHT - por Melody Gardot


Your eyes may be whole

but the story I'm told
is that your heart is as black as night

Your lips may be sweet
such that i can't compete
but your heart is as black as night

I don't know why you came along
at such a perfect time
but if i let you hang around
I'm bound to lose my mind


cuz your hands may be strong
but the feeling's all wrong
your heart is as black as night


(2x)

your heart is as black
oh, your heart is as black as night
ah-ah oooooo


A história de Melody Gardot

O post anterior foi concebido como um prólogo deste. Para não ficar longo demais fiz em dois "capítulos"...rsrsrs
Aos 19 anos um grave acidente quase encerrou a vida da talentosa cantora e compositora Melody Gardot mas deu inicio à sua carreira artística. A talentosa artísta foi atropelada por um automóvel quando retornava de bicicleta para sua casa. Resultado: múltiplas fraturas na região pélvica, cervical e na cabeça. Para recuperar alguma de suas antigas habilidades cognitivas o seu médico recomendou que fizesse o uso da música como terapia. Gardot teve que mudar tudo. Decidiu compor e aprender a tocar violão, já que não podia nem sentar para tocar piano. Incapacitada, presa a um leito, ela compôs e gravou as canções do seu primeiro álbum ‘Some Lessons: The Bedroom Sessions’ que chamou a atenção de um DJ local, impressionado com o talento notável e a coragem de Melody.

Hoje, Melody Gardot continua lutando, pois as sequelas do acidente a obrigam a usar constantemente óculos escuros e tampões de ouvidos devido à hipersensibilidade à luz e a ruídos, bengala para se apoiar e um dispositivo preso a sua cintura que estimula a produção de endorfina em seu organismo, tornando suas dores mais suportáveis.

Eu sempre fico muito impressionado com quem tem essa capacidade de se renovar, de sair das cinzas tal como uma Fênix. Não sei se eu teria essa mesma capacidade, por isso presto um tributo a ela.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

O Paradoxo do Fim



Antes da existência humana, o planeta era habitado por outras criaturas, outra fauna e outra flora, agora extintos.
A natureza é assim: uma eterna e dinâmica transformação marcada pelo fim e pela renovação.
E o homem, que está agregado ao reino animal, segue a mesma senda.
Várias fases evolutivas uma sucedendo a outra marcam o caminho da espécie humana.
Socialmente falando, os agrupamentos humanos começaram pequenos, tribais e foram crescendo mudando de forma na medida em que aquela organização primitiva se findava.
O homem, como indivíduo, também tem sua vida marcada por um fim após o outro: a infância finda, dando início a adolescência; adolescência finda quando inicia a fase adulta; já adultos vemos várias fases de nossas vidas tendo fim e inaugurando outras.
Vemos o fim de relações amorosas e o início de outras.
Vemos o fim de nossos estudos para dar início à carreira profissional.
Vemos o fim de um emprego para dar início a outro e assim sucessivamente até a aposentadoria que é precipitada pelo fim de nosso labor.
Até nossa vida vê um fim: a morte!
Será?
Religiosos não acreditam no fim da vida, mas sim no fim da vida como a conhecemos, porque - segundo sua percepão - a morte dá início a uma nova vida: seja ao lado da divindade, seja numa outra encarnação ou seja em forma de energia universal.
Analisando a questão apenas do ponto de vista naturalista todo ser vivo ao morrer se transforma noutra forma, noutra matéria: passa, portanto, por mera mudança de estado.
Esse é o paradoxo do fim: ele é o início de outro estágio da existência.
O sol quando se põe finda lentamente o dia e lentamente inaugura a noite.
O fim é, na verdade, o prelúdio de um novo momento.