terça-feira, 9 de novembro de 2010

Porque eu acredito no Brasil

São decisões como a do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) que hoje decidiu afastar por pelo menos dois anos um juiz de Sete Lagoas (MG) que considerou inconstitucional a Lei Maria da Penha em diversas ações contra homens que agrediram suas companheiras, alegando ver na legislação "um conjunto de regras diabólicas" e dizendo que "a desgraça humana começou por causa da mulher", que acredito no Brasil.

Por 9 votos a 6, o conselho decretou a disponibilidade de referido magistrado. A pena é prevista na Lei Orgânica da Magistratura para ato considerado "grave" a atitude de um magistrado. Lamentável é não ter havido a possibilidade de dar a ele o que ele parece merecer: aposentadoria compulsória.

Durante o período, ele receberá salário proporcional ao tempo de serviço e poderá pleitear a volta ao trabalho após dois anos de afastamento. A maioria dos conselheiros seguiu o relator, Marcelo Neves, ao entender que Rodrigues deveria ser afastado por usar em suas decisões uma linguagem discriminatória e preconceituosa.

A divergência foi proposta pela conselheira Eliana Calmon, que propôs uma censura ao juiz, com a aplicação de um exame de sanidade mental, ideia que não prevaleceu.

Em uma das sentenças proferidas pelo juiz a lei é chamada de "monstrengo tinhoso", seguida das seguintes considerações: "Para não se ver eventualmente envolvido nas armadilhas dessa lei absurda, o homem terá de se manter tolo, mole, no sentido de se ver na contingência de ter de ceder facilmente às pressões."

Ele também afirma que "a vingar esse conjunto de regras diabólicas, a família estará em perigo, como inclusive já está: desfacelada, os filhos sem regras, porque sem pais; o homem subjugado".

E conclui: "Ora, a desgraça humana começou no Éden: por causa da mulher, todos nós sabemos, mas também em virtude da ingenuidade, da tolice e da fragilidade emocional do homem (...) O mundo é masculino! A ideia que temos de Deus é masculina! Jesus foi homem!".

O que me entristece, porém, é que a lei Maria da Penha não deveria ser utilizada somente em favor das mulheres. Embora criada para protegê-las seus princípios podem e devem ser utilizados por analogia para a proteção da vida humana em qualquer relação e de qualquer ser humano: sejam homens ou mulheres, crianças ou adultos, hetero ou homossexuais.

Foi por causa disso, dessa limitação interpretativa que hoje não se acha mais a tal Elisa Samudio; a advogada Mércia Nakashima e outras tantas mulheres anônimas.

É por conta dessa limitação, também, que vários homens são ofendidos por suas mulheres rixosas e tudo fica por isso mesmo.

Mas um dia chegaremos lá...

Cegueira


Anoitece sobre os meus olhos
Mas eu
Que tenho por companheira a escuridão
Não nasci cego 
Antes cerrei minha visão
Obscureci meus pensamentos
Por medo de rever minhas razões
E me refugiei na cabana da ignorância
Onde encontrei a luz do "pré" conceito
Que tal qual um candeeiro velho
Ilumina apenas o que desejo ver
Não o todo ao meu redor
É assim
Com a visão tolhida
 E o discernimento claudicante
 Que sigo voluntariamente cego
A percorrer as sendas da vida.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Materialismo x Mundo Contemporâneo: pequeno ensaio sobre a falácia

"Não é por julgarmos uma coisa boa que nos esforçamos por ela, que a queremos, que a apetecemos, que a desejamos, mas, ao contrário, é por nos esforçarmos por ela, por querê-la, por apetecê-la, por desejá-la, que a julgamos boa". Espinoza



Desde que me conheço por gente ouço reclamações sobre o comportamento materialista das pessoas. Há anos que ouço frases como: "Hoje as pessoas estão muito individualistas"; "Hoje as pessoas estão muito egoístas"; ".....porque na época dos meus pais o mundo era tão diferente! As pessoas não pensavam tanto em ter mas em ser e hoje é o inverso. O mundo está de cabeça para baixo"

Eu tenho pensado muito nisso: será que é verdade? será que tal afirmativa tem procedência?

Por enquanto cheguei à conclusão de que não, isso não é verdadeiro.

Parece mais fruto de um senso comum equivocado aliado a um romantismo exacerbado sobre a natureza humana e um pessimismo sobre o mundo contemporâneo!

Até onde eu tenho conhecimento, o mundo antigo era regido pela escacez. O acesso ao luxo e o consumo de supérfluos era restrito às altas gamas da sociedade: aos sacerdotes, aos militares, aos atletas, aos imperadores/czares/reis e membros da respectiva corte, aos nobres, aos burgueses, aos comerciantes e etc.

Noutras palavras: os representantes das classes dominantes, os ricos, é que tinham acesso a alguma fartura, luxo e gozavam de tudo quanto seu dinheiro e prestigio pudessem dispor. Tinham poderes sobre a vida e sobre a morte de seus escravos e inimigos.

Era dessa casta que saiam: médicos, advogados, filósofos, professores e toda a casta de intelectuais da sociedade.

Quem, egresso da pobreza, tinha acesso a essas benesses?

Para a classe pobre e dominada, que sempre foi a maioria, sobrava o que, então? Esperar por uma mudança divina para ascenderem socialmente ou por uma revolução.

Sobrava aos pobres, portanto, rezar e se rebelar. Mais nada.

Quando se tinha a possibilidade de estudar as pessoas o faziam para "ser alguém na vida" e isso significava dizer que era para "terem condições financeiras" que lhes permitissem gozarem dessas benesses, terem prestigio e não para serem sábios, iluminados intelectualmente, pura e simplesmente.

Noutras palavras: "ser alguém na vida" era "ter" e não "ser"!

A revolução francesa, a revolução industrial e outros movimentos sociais mudaram as possibilidades de ascensão social, a divisão econômica e isso permitiu que mais gente tivesse acesso ao estudo e ao consumo de bens materiais superfluos. O mundo passou da escassez ao excesso.

Com isso, tudo mudou na estrutura social e forma como o dinheiro circulava de modo que muita gente não egressa de famílias tradicionais passou a ter acesso a riquezas, à cultura e à ciência mas ainda assim, o foco dessa população (inclusive a intelectualizada) sempre foi "ter" e não "ser".

Faço aqui menção a 06 obras que desvendam bem a questão e quem não leu poderá ler:
- "Biblia"
- "O tao te ching" - Lao Tsé
- "Tratado da correção do intelecto" - Baruch de Espinosa
- "A rebelião das massas" - José Ortega y Gasset
- "O Elogio da Loucura" - Erasmo de Roterdã
- "As Brasas" - Sandor Márai

Elas todas falam de como, na verdade, as pessoas sempre se esforçaram para "ter" em detrimento do "ser" (enrriquecimento intelectual e espiritual) porque "ter" sempre assegurou um lugar mais alto na escala social e, portanto, assegurou (além das necessidades básicas) o apreço dos demais, o apoio dos demais, o poder sobre os demais. Logo, "ser" sempre foi "ter".

Hoje o consumo de massa trouxe para o populacho acesso aos bens materiais que antes lhe eram restritos, inacessíveis e, somente por isso, não tinham.

Se antes poucos eram ricos e pouca gente tinha a possibilidade de "ter", enquanto muitos queriam "ter" mas não podiam "ter" já que, até mesmo, enrriquecer era para poucos; hoje muita gente pode "ter", as chances de se ficar rico saindo do absolutamente nada são grandes e todos querem (como já antes queriam) "ter" mas com possibilidades concretas de acesso aos bens materiais que, desde todo sempre, foram objeto de cobiça humana.

Há, ainda, como penso que sempre haverá, classes dominantes que terão aquilo que o povão não tem.

No passado bacalhau era comida de pobre enquanto linho e seda só tinham acesso os ricos. No passado carro era para poucos e a ralé é que comia feijoada.

O mundo dá voltas e objetos de desejo mudam mas há sempre uma gama de coisas que só uns poucos abençoados podem ter! Mas a verdade é que todos, querem ter num mundo que desde sempre estabelece equivalência entre "ser" igual "ter".

Isso não está exacerbado e nem parece ser um fenômeno contemporâneo. Todos querem ser reconhecidos por seus pares. Ninguém quer estar à margem social. E se para ser reconhecido é preciso "ter" e, por isso, para "ser" todos queremos "ter". Uns mais, outros menos...

Comer, rezar e amar - O FILME

Romances baseados na vida real ou meramente ficção, quantos não foram os filmes que eu vi e me emocionei. Dois me marcaram especialmente: "AMADEUS" e "O FILHO DA NOIVA".

Sucesso de vendagem a obra literária "Comer, rezar e amar" seguiu a trilha de outros tantos livros e transformou-se em filme.

Minha mulher leu o livro e gostou muito. Ontem assistimos à produção cinematografica.

Minha opinião sobre o filme: um apanhado de clichês misturados com um "q" de auto ajuda para fins emocionais.

Eu não vivi na Itália mas, por outro lado, nem vi cenas calorosas de "amassos" nas ruas (como aquelas mostradas nos filmes) nem vi homens passando a mão em mulheres (como parece ter ocorrido com a personagem sueca), nem vi gente chavencando estrangeiras (como se mostrou).

Vi, sim, cenas de grosseria explícita de homens com olhares lascivos lançados para mulheres estrangeiras mesmo quando estas estavam com seus parceiros. Mas isso é charme? É, ao menos, paquera? Se for, tudo bem...


Os amassos, como se costuma ver aqui nas ruas brasileiras me dá a impressão de serem, aqui no Brasil, mais "quentes". E de que o "dolce far niente" é maior aqui do que lá.

E se o clima de lá fosse, de fato, tão sexy, tão irresistivelmente sexual, como se faz crer no filme, as mulheres não usariam, ilesas, roupas tão curtas e devassadas como o fazem no verão. Roupas que as brasileiras jamais sonhariam usar. Aqueles micro vestidos com os quais, inclusive, andam de scooter te permitindo ver flagrantes de várias calcinhas, fariam homens correrem atrás delas (lembram da cena na fonte que mostram os italianos correndo atrás de umas garotas como se fossem um bando de tarados) mas, na verdade, eles fazem exatamente: Nada! Nenhum "fiu fiu", nenhuma gracinha. Nada.

Por outro lado, aquela história de brasileiro beijando seus "filhos" (sim, filhos homens) na boca como se fosse um costume nosso???? O que era aquilo????

E mais, o que me causou profunda estranheza foi o fato de que em tempos modernos, com as mulheres falando cada vez mais que não estão preocupadas em se casar, a questão central tenha sido "o casamento" como ponte para a "felicidade".

Sob protestos da minha mulher (que amou o livro e chorou no filme) digo francamente que na categoria "romance", eu prefiro, disparadamente, ver "SECRETÁRIA".

domingo, 7 de novembro de 2010

Ideologia

O PSDB cogita, nos bastidores, fundir-se com o DEM.

Quem conhece a trajetória de ambos os partidores sabe muito bem a incongruência que a questão traz à tona.

Assim são os partidos neste país: abominavelmente sem ideologia.

E, depois, não sabemos porque o Brasil está onde está.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Lembrando daquele conto



"As mulheres coram por ouvirem falar daquilo que não receiam de modo algum fazer."


Michel Eyquem de Montaigne






Amai-vos uns aos outros...



"Reach out and touch faith", como diriam lá...

Parece que membros do clero mundo a fora levam essa máxima muito a sério.

Me refiro a mais um episódio envolvendo padres, fiéis e sexo.

Um padre católico foi surpreendido em plena atividade sexual com uma fiel (faxineira da igreja em que exercia seu mistér). O marido traído flagrou e gravou tudo.

O tal padre estava em sua cama na igreja Medalha Milagrosa, na cidade de Trujillo no Perú, transando com a faxineira da paróquia que, aliás, está grávida de quatro meses.

Embora tenha dito que tudo não passou de uma armação, as imagens registram um "mea culpa": "Reconheço meu erro, acalme-se", fala o padre na gravação. Enquanto isso ela alega coação.

De todo modo, como não poderia deixar de ser, a mulher foi despedida da paróquia e ingressou com processo pedindo pagamento pelo tempo de serviço e reconhecimento da paternidade de seu filho pelo padre.

Mas se indagarem o que aconteceu com o padreco comedor a resposta será: ele continua trabalhando normalmente, conduzindo missas e dando comunhão aos fieis!

Depois eu é que sou radical quando o assunto é religião e igreja.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/825518-marido-com-camera-flagra-mulher-fazendo-sexo-com-padre-em-igreja-no-peru.shtml

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Obscenidades, Pudores e Educação


Exposição de arte no Museu Reina Sofia em Madrid - Espanha
fonte: http://www.pitoresco.com.br/espelho/2005_01/espanha/coleccion_taschen.htm
Eu tenho uma amiga, também blogueira e por quem eu tenho muito carinho, que certa vez me fez uma confissão. Ela me disse que deixou de acompanhar publicamente este blog porque teme que seu pai, que sempre visita o blog dela, tomasse conhecimento do conteúdo deste blog que, na opinião dela, tem imagens e temas que podem ofender a sensibilidade e o pudor de algumas pessoas.

Juliana Paes em frente ao público
Eufemismos à parte, penso que a intenção dela era, carinhosamente, dizer que ela própria considera que este blog contém material obceno.

Eu, pessoalmente, discordo! E não é porque eu sou um dos que faço postagens (afinal o Renatão que comigo escreve já me disse que não abre o blog no local de trabalho, não por respeito ao trabalho em si mas porque entende que as imagens chocam).
Discordo, primeiramente porque a própria apresentação do blog já deixa claro o que vem pela frente ao se ingressar nele: material que deixará uns enrubecidos e outros acalorados e, portanto, não se poderia esperar ler ou ver material da Disney.

Em segundo lugar porque, não obstante a apresentação faça referência ao enrrubescimento de uns e acaloramento de outros, o que se vê por aqui não é pornografia ou textos despudorados capazes de causar incomodo ao quem vive no mundo contemporâneo.

Não! Aqui se busca tratar de questões cotidianas cosmopolitas, num nível alto, com irreverência e cultura.

Ainda que existam algumas imagens sensuais, alguns temas picantes e polêmicos, penso que - de fato e objetivamente falando - nada aqui postado ofende o pudor médio da sociedade ocidental (mais precisamente a brasileira) na qual estamos inseridos.

A começar pelas imagens: a maior parte das imagens que colaciono ao blog quando não são de material artístico exposto mundo a fora em museus e galerias abertas ao público em geral e disponíveis na internet para público de qualquer idade, são imagens colhidas à partir de flagrantes do cotidiano ou de revistas comuns (vide a da Juliana acima). São imagens que se vê explicitadas em material publicitário ou mesmo lojas.

Nelas não há sexo explícito, por exemplo.


Lilian Ramos e Itamar Franco nosso ex-presidente
Mesmo quando as imagens mostram a genitália de alguém, o certo é que não se expõe nada a mais do que aquilo que já se tornou prosaico na TV aberta brasileira e nas revistas que por aqui circulam desveladamente.

Os mais apressados poderão dizer: uai? E no carnaval? O Brasil inteiro não vê mulheres e homens absolutamente nús, com sua genitália exposta para quem quiser ver? E, mesmo assim, todos não vêm sem clamor? E quantas não foram as vezes nas quais atrizes ou pessoas comuns mostraram sua genitália na TV?

Verdade: desde as coberturas jornalísticas do carnaval (como exemplifica a imagem ao lado em que nosso ex-presidente estava sorridentemente folião ao lado de sua companhia sem pejo de estar sem calcinha para todos verem) até cenas de programas em horário nobre (tipo novelas, miniséries, humorísticos em geral e etc...) o brasileiro vê rotineiramente pessoas nuas sem dizer que isso lhes ofende a moral e os bons costumes.




Deborah Secco pelada em novela por amdal no Videolog.tv.


Na TV e em revistas já apareceram sem calcinha a Juliana Paes (mais acima), a Lilian Ramos (bem acima), a Xuxa, a Flávia Alessandra, a Luana Piovani e até mesmo a Sandy (que poupei de colocar aqui)...Tudo isso sem contar estrelas do cenário internacional.

E as simples mortais aspirantes a celebridades nos BBB´s, então?



Até o Youtube que proibe postagens pornográficas está cheia de reles mortais sem roupa (ou com pouca roupa) e partos normais (em que óbviamente a genitália é exposta) são exibidos em sua plenitude.

Agora, dá para dizer que a imagem de um parto normal, sublime em sua essência, seja obscena só porque é exibida integralmente, sem cortes?

O "cerumano é engraçado porque se nascemos nús como pode a nudez ser obscena? Para mim obsceno é a falta de dignidade que vejo todo santo dias nas ruas de São Paulo: gente defecando, urinando e se trocando a céu aberto. Gente que é fruto da miséria e da pobreza. Indigentes que vivem sob viadutos, em calçadas e praças, sem dignidade, humilhadas e despudoradamente sem futuro. Isso sim me incomoda muitíssimo. 

Obra providencialmente intitulada: L'Origine du monde
Por outro lado, os museus mundo a fora estão cheios de telas, esculturas e outras obras artísiticas retratando pessoas nuas, em poses eróticas e/ou sensuais, atos sexuais e, ainda assim, as pessoas visitam tais centros culturais venerando a tal arte sem sentirem-se ofendidas.

Um exemplo é essa imagem ao lado pintada por, Gustave Coubert, e que está no Museu d’Orsay, em Paris.

Outro exemplo é a "performance" clicada aí ao lado na 28ª Bienal de São Paulo em 2008.

Então, em que momento algo postado aqui poderia, de fato, ser impúdico? Cultura e arte é ou não é educação? Em caso positivo, educação pode ser obscena?

E os textos aqui postados, seriam eles obscenos?

Analisando-os vejo que mesmo quando há uso de palavras menos elegantes estas não estão fora de contexto e tampouco são diferentes daquelas que já se usa coloquialmente, no dia a dia, ou que comediantes usam em suas apresentações ou, mesmo, que inclusive são publicamente proferidas por nosso digníssimo presidente da república.

Também os textos não são mais picantes do que o conto "Obscenidas para uma dona-de-casa" escrito por Ignácio de Loyola Brandão e que, inclusive, faz parte da obra "Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século" (Ed. Objetiva - Rio de Janeiro - ano 2000, página 471).

Aliás, o conto em questão faz parte do material didático oficial para ensino médio nas escolas da rede pública estadual em São Paulo!!!

E, para os que não conhecem o tal conto, que está disponível em sua íntegra na internet (vide link acima), faço apenas uma breve transcrição de parte do texto:

"Se aparecer não vou agüentar, basta ele tocar este telefone e dizer: "Venha, te espero no supermercado, perto da gôndola do puropurê." Desço correndo, nem faço as malas, nem deixo bilhete. Vamos embora, levando uma garrafa de champanhe, vamos para as festas que ele conhece. Fico louca, nem sei o que digo, tudo delírio, por favor não prestem atenção, nem liguem, não quero trepar com ninguém, adoro meu marido e o que ele faz é bom, gostoso, vou usar meias pretas e ligas para ele, vai gostar, penso que vai ficar louco, o pau endurecido querendo me penetrar. "

Claro que a par do texto acima há outros tantos escritos e publicados por escritores classudos, reconhecidos por sua magnâmima contribuição para nossa literatura e que contém pensamentos nessa mesma linha.

Diante disso, dá para falar que as parcas linhas postas neste blog têm conteúdo mais forte do que o material escolar em questão ou que as imagens aqui postadas ferem a sensibilidade dos que vêem obras de arte expostas em museus?

Se a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo acredita que o texto acima faz parte do processo de educação de nossos jovens e se os diversos museus expõem quadros ou gravuras ou imagens ou mesmo performances do quilate ora exposto como demonstração de cultura e, ao mesmo tempo, se é parte da cultura de nosso país a nudez carnavalesca e pop das celebridades e dos anônimos em horário nobre, em revistas de circulação livre e em periódicos em geral só resta a mim estranhar que o pai da minha amiga pudesse mesmo ficar molestado ou chocado com o conteúdo deste blog.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Política versos Religião

Ontem, publicado no UOL, a CNBB (aquela mesma que num certo evento no Sul do Brasil deu voz a um certo arcebispo o qual - para justificar as atrocidades dos padres - afirmou que a sociedade de hoje é pedófila e indiretamente criticou os direitos outorgados aos homossexuais numa comparação com pedófilos) em nota oficial, parabenizou os vencedores das eleições deste ano e, “de maneira especial”, a petista Dilma Rousseff.

No documento, intitulado “Saudação aos eleitos”, a CNBB (aquela mesma que, até onde se tem conhecimento, não pede punição contra os casos de abusos pelo clero aos fiéis) diz esperar, tanto da presidente quanto dos demais eleitos “fidelidade no cumprimento das promessas apresentadas durante a campanha eleitoral”.

“Pesa sobre os ombros de cada um dos eleitos a responsabilidade de corresponder plenamente às expectativas e à confiança, não só de seus eleitores, mas de toda a Nação brasileira” (sic), diz outro trecho da nota, que também pede que os brasileiros acompanhem de perto os mandatos dos eleitos.

"Cabe, agora, a todos nós, brasileiros e brasileiras, a irrenunciável tarefa de acompanhar os eleitos no exercício de seu mandato, a fim de que não se percam nos caminhos do poder de que foram revestidos".

Já que a CNBB meteu deus na lambança política com o tema do aborto e atraiu os candidatos para a Igreja apenas para arrecadar votos, fico me indagando, por exemplo, por que ela não explicou aos seus fiéis que as tais promessas deveriam constar de um "programa de governo" registrado junto ao TSE e que não votassem em quem não as tivesse apresentado uma vez que, do contrário, não teriam o que cobrar do eleito?

Exemplo: o ex-candidato José Serra (apoiado veladamente pela Igreja e pela imprensa de direita) não se dignou apresentar suas propostas formalmente junto ao TSE porque, de fato, não tinha um programa de governo.

Já a Dilma até apresentou mas os especialistas dizem que sua proposta é ampla e aberta demais, geral demais.

Aquela merda de sempre...

Se para político "promessa é dúvida" e nem no que está escrito se pode confiar, não seria o papel da CNBB, que vive se metendo nas questões políticas desse país a pretexto de representar os anseios de seus fiéis, elucidar aos que representa que não se poderia cobrar muita coisa de quem jamais se comprometeu formalmente com algo?

Isso, que é importante, eles não fazem!

Deveriam parar de interferir num Estado laico...deveríamos dar um basta a essa interferência nociva e alienante.