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quarta-feira, 11 de abril de 2012

Cidadania se faz assim: com atitudes!

Diariamente eu vejo pessoas cobrando do Estado posturas para garantir-lhes os direitos feridos. Vejo ciclistas, motoristas e pedestres cobrando mais segurança nas ruas, por exemplo!

Mas o Estado é, nada mais, nada menos, que o reflexo de cada cidadão. Se um país ou uma comunidade é omissa, o resultado será um Estado omisso.

Temos que meter a mão na massa....abaixo segue um exemplo claro disso:

quinta-feira, 31 de março de 2011

Cancro exposto

Jair Bolsonaro é um cancro. Um tumor no seio de nossa sociedade. Como político ele deveria ser extirpado. Como cidadão deveria ser condenado por preconceito (já que ignorância e estupidez não são crimes).



Por que ainda se continua a tratar as mulheres de maneira desrespeitosa? Por que ainda existe o preconceito racial num Brasil em que a maioria da população tem raízes negras? Por que a violência gratuita contra homossexuais corre frouxa na maior cidade sul americana?

Porque o brasileiro apóia o preconceito.

Essa mazela social tem em Bolsonaro sua voz mas, na verdade, é silenciosa e muito mais forte do que se pode imaginar.

Explico: nas eleições recebi uma série de e.mails de gente metendo o pau no Lula, na Dilma e no Serra.

Antes e depois das eleições circularam e.mails indignados com isso ou aquilo que nossos políticos fazem ou deixam de fazer. Claro que o foco maior é o PT...São e.mails criados por pessoas que se dizem "cidadãos conscientes" e circulam pela net graças a internautas que se dizem preocupados com a nossa nação.

Agora, pergunto: onde estão os conscientes e os preocupados que fizeram circular tantos e.mails? Por que agora, diante desse espetáculo de indignidade e ofensa, patrocinado por essa excrescência política que é o Sr. Jair Bolsonora, permanecem calados? Não estão eles ofendidos diante da manifestação inequívoca de preconceito racial e de gênero? Não se sentem envergonhados pela falta de urbanidade, pela descompostura, pela falta de respeito para com o ser humano (lembrando que gostemos ou não, apoiemos ou não a homossexualidade e as diferenças de cor de pele, todos somos seres humanos)? Homofobia e racismo não são tão graves quanto corrupção?

A resposta a essa indagação é aparentemente simples e singela: estão calados porque no íntimo apoiam essa conduta. No íntimo o Bolsonaro fala aquilo que seus eleitores e outros tantos não se sente à vontade de falar, seja por medo de punição jurídica, seja por apego ao "politicamente correto". 

Podemos manifestar nossa vontade sendo diligentes ou negligentes, ativos ou omissos, ou seja, podemos dar apoio a algo por meio de ação ou pela ausência dela.

Aquele cidadão indignado de outrora, que disparava e.mails enfurecidos contra esse ou aquele político curiosamente não faz e.mail algum diante desse despudor e reforça a atitude do agressor sendo, pois, com ele complacente e cúmplice. Idem para outros cidadãos conscientes que repassam e.mails pseudo-politizados mas que, diante desse tema, preferem ficar longe da "controvérsia".

Quando o Bolsonaro afirma que “[Homossexualidade] para mim é grave. Eu não admito fazer apologia ao homossexualismo, idolatrar o homossexual, deixar que o homossexual entre na escola” sua atitude, sobremaneira como político que é, consubstancia-se em que mesmo???? Intolerância de gênero, preconceito, homofobia, instigação ao desrespeito aos direitos individuais, instigação ao desrespeito à constituição e às leis ordinárias. Está ele pregando um apartheid de gênero.

É uma contradição que as pessoas contrárias à promoção da tolerância e da inclusão social dos homossexuais acreditem que aos mesmos não se deve franquear direitos individuais (como os de livre expressão, acesso a estudo, liberdade de pensamento, acesso à constituição de família pelo casamento e adoção) mas sequer cogitam de isentar-lhes de pagamento de tributos ou cumprimentos de deveres cívicos.

Não se vê um lider católico, evangélico, hebreu ou muçulmano levantando-se contra essa ofensa que é, antes de mais nada, contrária aos ensinamentos biblicos (sim, todas essas religiões têm em comum ao menos o primeiro testamento). Estes mesmos líderes, no entanto, se levantam prontamente contra proibições de uso de burca, de manifestações religiosas, de uso de símbolos religiosos, de ensinamentos religiosos em escolas públicas e tudo quanto lhes pareceu uma ofensa o direito de liberdade religiosa! Bem hipócrita, na minha opinião...

Nenhuma sociedade é livre, nenhuma sociedade é civilizada quando não se promove o bem estar geral da população, respeitando as diferenças entre as pessoas e suas potencialidades.

Vergonhoso...

terça-feira, 15 de março de 2011

Ataraxia

Diz o léxico que a palavra deriva da filosofia e signfica "quietude absoluta da alma, quietude que é, segundo o epicurismo, o apanágio dos deuses e o ideal do sábio."

Mas também significa apatia e despreocupação extremada e patológica com os fatos da vida.

Interessante isso: de um lado o ápice da elevação espiritual que conduz à tranquilidade inabalável, de outro, uma patologia que impede alguém de ter a mínima preocupação com seja lá o que for.

Muita gente anda por aí confundindo isso com paz, confundindo isso com medo, confundindo isso com perdão e confundindo isso com urbanidade e cidadania: não se preocupam com as ofensas que o vizinho pratica em sua casa contra seu filho e esposa porque isso é um problema dele; não se preocupam com as agressões que brutamontes fazem contra outros na rua porque isso é um problema dos outros e nem mesmo reagem quando alguém lhes ofende porque imaginam que a reação lhes trará maior desprazer, sobretudo se a reação - para ser a altura do agressor - envolve certa dose de brutalidade!

Dia desses, um troglodita, moleque, desses marombados, por um motivo banal, fútil mesmo, e do qual ele não tinha qualquer razão (nem objetiva e nem subjetivamente falando), passou a gritar comigo e me desrespeitar na rua, em frente a todos. Reagi à altura, sem medo. Ele não ficou feliz e, como se sua massa muscular pudesse darantir-lhe sucesso, saiu do carro em minha direção numa atitude hostil, com palavras pouco urbanas, na tentativa de me intimidar. Não consegiu!

Gritar em público, reagir com violência, falar palavras de baixo calão não é urbano e tampouco é algo de que devemos nos orgulhar. Mas há situações extremadas em que essa reação é a única disponível para manter o respeito, não se deixar acuar e proteger sua moral, sua dignidade, sua civilidade, seus direitos, ou seja, sua vida não material prestes a ser jogada na sarjeta.

Há quem peça desculpas até mesmo quando recebe um tapa na cara! Há quem se intimide e saia correndo. Geralmente eu não reajo assim: se eu permitir que alguém faça comigo algo que reputo desonrosso e mesmo assim fico quieto então, na verdade, eu fortaleci o agressor.

Essa postura de subserveniência e de omissão diante da violência não é NÃO VIOLÊNCIA, tampouco é de elevação espiritual, isso é ataraxia social e moral! Isso é covardia que reforça a impunidade e resulta, depois, em atitudes extremadas como aquela do atropleamento dos ciclistas dentre outras.

Fique apático diante da violência e verá que ela se tornará maior e, ainda assim, voltará contra você. Justamente aquilo que se queria evitar. O pior é que a omissão nos torna cúmplices do agressor.

A cultura do é melhor um covarde vivo a um herói morto é indecente e faz de nós um bando de escravos de uma vida indgna de ser vivida.

Segue um trecho do filme APOCALYPTO sobre o medo, sobre a omissão, sobre a doença que é essa ataraxia que vemos hoje em nosso povo:


O texto está em inglês mas é bem fácil de entender.

sexta-feira, 4 de março de 2011

O atropelamento dos ciclistas


O episódio do atropelamento dos ciclistas ocorrido no sul do país expõe uma faceta interessante de nossa cultura: a de nos vermos de modo segmentado e de não respeitarmos nossos pares.

De um lado os ciclistas protestando contra o desrespeito e pedindo mais espaço para poderem pedalar, de outro lado um cidadão que se revelou destemperado e  potencial homicida, cuja mídia afirmou ser inveterado em agressões e violações de trânsito.

Não há o que se questionar quanto à atitude do condutor do veículo que atropelou, como se estivesse numa pista de boliche e como se fossem bonecos sem vida, vários ciclistas inofensivos.

O pior é que, em público e em rede nacional, o cidadão mentiu despudoradamente alegando ter feito o que fez por sentir-se ameaçado!!!

Ele me fez lembrar algumas pessoas que conheci: abusadas, prepotentes, arrogantes e destemidas até que a casa caiu e se revelaram mentirosas e covardes.

Por outro lado, é preciso fazer uma reflexão: os ciclistas estavam corretos? Penso que não!

Claro que não deveriam ser vitimados com o desrespeito e a violência que lhes foi impingida.

Mas isso não retira o fato de que a postura deles não foi de cidadania, de respeito e de urbanidade que, no fundo, buscam para si mesmos.

Não se pode sair por aí violando o direito dos outros que, no caso em questão, era o de transitar livremente de carro pelas ruas da cidade. Tudo poderia ser feito sem que eles, ciclistas, impedissem o trânsito, sem que tomassem as ruas como fizeram.

Afinal, os demais cidadãos não são responsáveis pela inércia das autoridades em regulamentar vias apropriadas para ciclistas e os demais cidadãos também têm suas prioridades e, o que é mais importante, os demais cidadãos podem até não concordar com as reivindicações dos ciclistas de modo que não faz sentido que sejam prejudicados em seu direito de ir e vir por conta de um movimento que poderia ser feito de outra forma e com o mesmo impacto reivindicatório.

Eu gosto de andar á pé, sou ciclista desde menino, também sou motociclista e ainda ando de carro.

Sei bem dificuldades e os obstáculos que nossa terra impõe a quem passa por todas essas condições.

Eu mesmo saía pela cidade com grupos noturnos de pedaladas, assim como saio de dia para pedalar sempre que posso e por isso é que me sinto confortável em dizer que não obstante tenhamos que lutar por meios mais saudáveis e seguros de transitar pelas cidades, também devemos lembrar que cada qual deve ser respeitado em seu mecanismo de condução.

Todos merecemos respeito, somos uma única sociedade e devemos promover nossas manifestações, sempre que possível, respeitando os direitos dos outros e o bem geral.

Ou, então, fazemos passeatas e fechamos as vias públicas tendo avisado as autoridades para que estas possam nos auxiliar e para que os demais concidadãos sejam privados do transtorno de se verem obrigados a entrar numa manifestação que não é deles.