A palavra "flush", em inglês, tem diversos significados: rubor, descarga de aparelho sanitário, acesso de febre ou de calor, dentre outros. Aqui pretendo tratar de assuntos que fazem ruborizar alguns ou que causam calor a outros mas que, definitivamente, não são reflexões que pretendo jogar descarga abaixo.
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segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Acima do bem e do mal - reflexão
Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal. - Nietzsche
Não raramente tenho contato com donos de animais de estimação que recorreram ao sacrifício destes últimos quando acometidos de uma doença grave, incurável e que lhes impunha dor e tristeza em uma existência demasiadamente penosa.
Veterinários, que antes de mais nada são médicos, recomendam essa prática numa atitude de solidariedade e misericórdia para com o animal. Já seus donos justificam no amor e no afeto a medida que finaliza aquela implacável paixão.
Todos concordam que manter o animal em tais circustâncias é pura crueldade.
Pois bem, se assim o é, porque em nome do amor não se autoriza a eutanasia quando um ser humano se depara com a mesma cruel situação?
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
NEM TODOS OS ATOS DO HOMEM SÃO ATOS HUMANOS
Antigamente eu me sentia frustardo por ver o mundo de um modo que as pessoas não viam, não entendiam e - mais do que tudo - ignoravam.
Me sentia frustrado por não conseguir fazer as pessoas verem as coisas de outra forma. Não queria que elas mudassem de opinião, mas que entendessem o meu ponto de vista. Afinal esse era meu esforço espontâneo e inconsciente para entender melhor o mundo ao meu redor: enxergar as coisas por outro ponto de vista que não fosse o meu.
Funcionava para mim mas não para as pessoas e elas, à mingua de maiores conhecimentos, à mingua de leitura mais ampla, à mingua da prática de discutir pontos de vista pelo simples prazer de trocar idéias, me rotulavam de intolerante (porque eu não pensava como elas o intolerante era eu) e de querer convencê-las a pensar com o eu.
Até hoje eu tenho que ouvir de algumas pessoas que eu não acredito em deus, que eu sou ateu ou coisa do gênero, só porque minha visão de deus é espinosiana. Agora, pergunte a qualquer pessoa como Espinosa acreditava em deus e poucos saberão responder. Eu acredito em deus mas não acreditar é relamente relevante? Por exemplo: acreditar em deus não assegura que você goste dele como no caso dos satanistas tradicionais que acreditam em deus mas acham a sua figura desprezível e má!
Por isso eu sempre entendi que para se aprender a manter o raciocínio íntegro e manter a autoestima quando se nada contra a maré, o melhor amigo para conversas é o livro. Nele você nota que não está só em seus pensamentos e que há quem consiga estar acima da mediocridade.
Vez por outra eu falo ou escrevo sobre o porque determinados atos não são mais do que meros instintos ou impulsos ou reflexos ou qualquer outra forma de agir que não é fruto, senão, da natureza animal e não - própriamente - da natureza humana. Aqui vou transcrever apenas um trecho de um livro que pode ser útil para melhor expressar o que eu penso:
"Deixando de lado alguns usos puramente técnicos da palavra ‘acção’ (por exemplo, acção como participação no capital de uma empresa), o núcleo significativo da palavra estriba na produção ou causação de um efeito. A palavra ‘acção’ emprega-se às vezes para falar de animais não humanos (diz-se que a acção das cigarras é benéfica para a agricultura) ou, inclusive, de objectos inanimados (diz-se que a gravitação é uma forma de acção à distância ou que a toda a acção exercida sobre um corpo corresponde uma acção igual de sentido contrário).Mas sobretudo usamos a palavra ‘acção’ para nos referirmos ao que fazem os humanos. Aqui só nos interessa este tipo de acção, a acção humana.
As nossas acções são (algumas das) coisas que fazemos. Na realidade o verbo ‘fazer’ cobre um campo semântico bastante mais amplo que o substantivo ‘acção’. O latim distingue o agere do facere (aos quais corresponde em português agir e fazer). Ao substantivo latino actio, derivado de agere, corresponde o substantivo acção. Assim, até de um ponto de vista etimológico, ‘acção’ só carreia a carga semântica de ‘agir’ e não propriamente de ‘fazer’.Tudo quanto realizamos é parte da nossa conduta, mas nem tudo o que realizamos constitui uma acção. Enquanto dormimos realizamos muitas coisas: respiramos, suamos, damos voltas, apertamos a cabeça contra a almofada, sonhamos, talvez ressonemos alto ou falemos em voz alta ou andemos sonâmbulos pela casa. Todas estas coisas as realizamos inconscientemente, enquanto dormimos. Realizamo-las mas não damos conta delas, não temos consciência de que as realizamos. A estas coisas que fazemos inconscientemente não lhes vamos chamar acções.Vamos reservar o termo ‘acção’ para as coisas que realizamos conscientemente, dando-nos conta de que as fazemos. Há, no entanto, coisas que fazemos conscientemente, dando-nos conta delas, mas sem que à sua realização corresponda uma intenção nossa. Damo-nos conta dos nossos ‘tiques' e de muitos dos nossos actos reflexos, mas realizamo-los involuntariamente, constatamo-los como espectadores, não os efectuamos como agentes. (A palavra ‘agente’ é outra das palavras derivadas do verbo latino agere). Por algo que sentimos depois de comer damo-nos conta de que estamos a fazer a digestão. Mas fazer a digestão não constitui (normalmente) uma acção. Pelos sorrisos dos que nos observam damo-nos conta de que estamos a ser ridículos. Mas ser ridículo (praticar actos ridículos) não é uma acção, mas uma reacção, algo que nos passa despercebido e que lamentamos (a não ser que o façamos de propósito, como provocação; neste caso já seria uma acção). Também não chamamos acção a esses aspectos da nossa conduta de que nos damos conta, mas que não efectuamos intencionalmente. No presente estudo limitar-nos-emos às acções humanas conscientes e voluntárias, às que daqui em diante chamaremos acções (sem mais).Uma acção é uma interferência consciente e voluntária de um homem ou de uma mulher (o agente) no normal decurso das coisas, que sem a sua interferência haveriam seguido um caminho distinto do que por causa da acção seguiram. Uma acção consta, pois, de um evento que sucede graças à interferência de um agente e de um agente que tinha a intenção de interferir para conseguir que tal evento sucedesse."
Me sentia frustrado por não conseguir fazer as pessoas verem as coisas de outra forma. Não queria que elas mudassem de opinião, mas que entendessem o meu ponto de vista. Afinal esse era meu esforço espontâneo e inconsciente para entender melhor o mundo ao meu redor: enxergar as coisas por outro ponto de vista que não fosse o meu.
Funcionava para mim mas não para as pessoas e elas, à mingua de maiores conhecimentos, à mingua de leitura mais ampla, à mingua da prática de discutir pontos de vista pelo simples prazer de trocar idéias, me rotulavam de intolerante (porque eu não pensava como elas o intolerante era eu) e de querer convencê-las a pensar com o eu.
Até hoje eu tenho que ouvir de algumas pessoas que eu não acredito em deus, que eu sou ateu ou coisa do gênero, só porque minha visão de deus é espinosiana. Agora, pergunte a qualquer pessoa como Espinosa acreditava em deus e poucos saberão responder. Eu acredito em deus mas não acreditar é relamente relevante? Por exemplo: acreditar em deus não assegura que você goste dele como no caso dos satanistas tradicionais que acreditam em deus mas acham a sua figura desprezível e má!
Por isso eu sempre entendi que para se aprender a manter o raciocínio íntegro e manter a autoestima quando se nada contra a maré, o melhor amigo para conversas é o livro. Nele você nota que não está só em seus pensamentos e que há quem consiga estar acima da mediocridade.
Vez por outra eu falo ou escrevo sobre o porque determinados atos não são mais do que meros instintos ou impulsos ou reflexos ou qualquer outra forma de agir que não é fruto, senão, da natureza animal e não - própriamente - da natureza humana. Aqui vou transcrever apenas um trecho de um livro que pode ser útil para melhor expressar o que eu penso:
"Deixando de lado alguns usos puramente técnicos da palavra ‘acção’ (por exemplo, acção como participação no capital de uma empresa), o núcleo significativo da palavra estriba na produção ou causação de um efeito. A palavra ‘acção’ emprega-se às vezes para falar de animais não humanos (diz-se que a acção das cigarras é benéfica para a agricultura) ou, inclusive, de objectos inanimados (diz-se que a gravitação é uma forma de acção à distância ou que a toda a acção exercida sobre um corpo corresponde uma acção igual de sentido contrário).Mas sobretudo usamos a palavra ‘acção’ para nos referirmos ao que fazem os humanos. Aqui só nos interessa este tipo de acção, a acção humana.
As nossas acções são (algumas das) coisas que fazemos. Na realidade o verbo ‘fazer’ cobre um campo semântico bastante mais amplo que o substantivo ‘acção’. O latim distingue o agere do facere (aos quais corresponde em português agir e fazer). Ao substantivo latino actio, derivado de agere, corresponde o substantivo acção. Assim, até de um ponto de vista etimológico, ‘acção’ só carreia a carga semântica de ‘agir’ e não propriamente de ‘fazer’.Tudo quanto realizamos é parte da nossa conduta, mas nem tudo o que realizamos constitui uma acção. Enquanto dormimos realizamos muitas coisas: respiramos, suamos, damos voltas, apertamos a cabeça contra a almofada, sonhamos, talvez ressonemos alto ou falemos em voz alta ou andemos sonâmbulos pela casa. Todas estas coisas as realizamos inconscientemente, enquanto dormimos. Realizamo-las mas não damos conta delas, não temos consciência de que as realizamos. A estas coisas que fazemos inconscientemente não lhes vamos chamar acções.Vamos reservar o termo ‘acção’ para as coisas que realizamos conscientemente, dando-nos conta de que as fazemos. Há, no entanto, coisas que fazemos conscientemente, dando-nos conta delas, mas sem que à sua realização corresponda uma intenção nossa. Damo-nos conta dos nossos ‘tiques' e de muitos dos nossos actos reflexos, mas realizamo-los involuntariamente, constatamo-los como espectadores, não os efectuamos como agentes. (A palavra ‘agente’ é outra das palavras derivadas do verbo latino agere). Por algo que sentimos depois de comer damo-nos conta de que estamos a fazer a digestão. Mas fazer a digestão não constitui (normalmente) uma acção. Pelos sorrisos dos que nos observam damo-nos conta de que estamos a ser ridículos. Mas ser ridículo (praticar actos ridículos) não é uma acção, mas uma reacção, algo que nos passa despercebido e que lamentamos (a não ser que o façamos de propósito, como provocação; neste caso já seria uma acção). Também não chamamos acção a esses aspectos da nossa conduta de que nos damos conta, mas que não efectuamos intencionalmente. No presente estudo limitar-nos-emos às acções humanas conscientes e voluntárias, às que daqui em diante chamaremos acções (sem mais).Uma acção é uma interferência consciente e voluntária de um homem ou de uma mulher (o agente) no normal decurso das coisas, que sem a sua interferência haveriam seguido um caminho distinto do que por causa da acção seguiram. Uma acção consta, pois, de um evento que sucede graças à interferência de um agente e de um agente que tinha a intenção de interferir para conseguir que tal evento sucedesse."
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