Há cerca de 10 anos morria minha avó materna, logo após completar seus 88 (oitenta e oito) anos de idade. Seu aniversário, se viva estivesse, seria amanhã, dia 19/04.
Nascida e criada no interior da Bahia, testemunhou o auge e o declínio das fazendas de cacau e de café, tendo trabalhado arduamente na roça numa condição de inegável exploração.
A velha avó se parecia com a senhora ao lado. Tinha o rosto marcado pela vida, andava com dificuldades graças ao trabalho duro da roça e viu de tudo: conheceu Lampião, viu uma de suas irmãs fugir com um cangaceiro, enfrentou homem na faca, teve irmãos assassinados no sertão e contava as tantas histórias do sertão como se estivesse numa roda de viola.
Ela ainda imaginava que o Rio São Francisco fosse maior que o mar até ver o mar pela primeira vez já depois de velha.
Ela ainda imaginava que o Rio São Francisco fosse maior que o mar até ver o mar pela primeira vez já depois de velha.
Com a ternura e a docilidade típicas da avó baiana da fazenda, a vó "Tonha", sempre me vem a memória toda vez que ouço TOCANDO EM FRENTE do Almir Sater. Essa música é a cara dela!
