quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Quando o assunto é violência doméstica, ninguém quer ouvir a verdade

por Barbara Kay, do National Post (artigo publicado em 27 de fevereiro de 2008)

Em um mundo justo, a britânica Erin Prizzey, que fundou o primeiro abrigo para mulheres vítimas de violência doméstica em 1971, seria uma especialista respeitada quando o assunto é violência doméstica. Mas no mundo real, infelizmente, só o nome Prizzey causa nojo por sua heresias politicamente incorretas.
O crime dela? Sendo uma humanista, ela desafiou o dogma das feministas radicais que colonizaram seus abrigos e  praticamente a expulsaram a ponta pés. O mantra ideológico destas feministas, ainda muito vivo, impõe que somente os homens são os culpados em casos de violência doméstica, enquanto mulheres são meras vítimas indefesas que podem até reagir, mas apenas em defesa própria. Mas Prizzey sabia, tanto por experiência própria (seus pais que faziam parte da alta sociedade eram mutualmente agressivos, com a mãe de Erin chegando a agredi-la) quanto pelos relatos que as mulheres que ela abrigava contava, a grande maioria dos casos de violência doméstica são recíprocos.
Colocar as mulheres como uma das responsáveis pela violência doméstica deixaram as feministas tão furiosas que fez com que Prizzey tivesse seu cachorro morto e que ameaças de morte fossem enviadas a todos os seus parentes. Mesmo assim, ela continuou sua cruzada pelos Estados Unidos para mostrar que a violência doméstica é um problema dos dois gêneros, publicando um grande número de livros e artigos sobre o tema.
Extremamente emblemática, a história de Erin Prizzey é um dos maiores exemplos da hostilidade que as pessoas que vão contra o senso comum imposto pelas feministas podem sofrer.
Outra coisa impressionante, o professor de psicologia da Univerisade de Columbia Don Dutton, é conhecido por seus pares como um especialista em violência doméstica. Ele provou, com mais e mais fatos – com sua obra mais recente sobre o assunto sendo o livro “Rethinking Domestic Violence” de 2006 – que a tendência de praticar violência contra o parceiro é bilateral e está ligado com disfunções individuais: homens e mulheres com alguma desordem de personalidade e/ou histórico de violência familiar tem chances iguais de praticarem violência, ou de procurar por parceiros violentos.
Mas toda a bagagem intelectual e os 25 anos de pesquisas neste assunto que Dutton possuí não foram suficientes para convencer os políticos que criam as leis de violência doméstica, nem sequer um deles pediu algum conselho.
Ao contrário, pseudo-ciências que absolvem mulheres com impulsos violentos, que são feitas por demanda de grupos de interesse que fazem parte do mesmo grupelho ideológico feminista, são usados para treinar a polícia, influenciar as decisões de julgamentos e ditam como assistentes sociais e empregados de abrigos para mulheres devem agir.
A mídia preguiçosa e politicamente correta espalha com afinco bobagens feitas por palpiteiros sem a mínima formação, que entopem a população com dados tendenciosos e não conectados à realidade.
Ah, os abrigos femininos! A residente do sul de Ontário Mariel Davison nos oferece uma história incrível quando uma boa ação imparcial colide com o pensamento dominante dos abrigos femininos.
Davison tem formação em psicologia. Alguns anos trás, ela se considerava uma “feminista que lutava pelos direitos iguais”, e se voluntariou para ajudar em um abrigo feminino local. Durante oito semanas de “treinamento”, Davison teve que aturar infindáveis sessões de discursos misândricos e pseudo-ciência. Isto, e a grande incongruência da “mulher sempre ser vítima” sendo que lésbicas também procuravam o abrigo – a violência doméstica entre lésbicas é um tabu entre as funcionárias do abrigo – levam a certas perguntas.
Davison pensou que sua excelente formação seria de grande ajuda, mas pelo contrário, ela era ignorada por suas colegas: “me era dito que eu tinha conhecimento demais para ser voluntária do abrigo.”
Incrédula, Davison obstinadamente questionava os supervisores do abrigo e até mesmo seus financiadores, demandando uma revisão na literatura que instruia as funcionárias, mas era simplesmente ignorada. Nada surtiu efeito.
E nada parece que vai melhorar, pelo menos se a tendência se mantiver, já que a indústria da violência doméstica é um grupinho fechado, desde os cursos de Estudos Femininos (não queria achar algum estudo feito por Prizzey ou Dutton, ou algo relacionado aos homens, porque não será encontrado nada), para abrigos femininos, o estatus da mulher, o Conselho Judicial Nacional e até a Suprema Corte do Canadá. Todos eles seguem a mesma cartilha ideológica.
Erin Prizzey e Don Dutton foram ambos palestrantes numa conferência em Sacramento, Califórnia, que foi patrocinada por um grupo independete, o Centro Nacional de Recursos da legislação sobre a violência familiar (seu lema: “Advogando por políticas baseadas em ideais não discriminatórios e em evidências”).
Prizzey afirmou para sua audiência que, quando o assunto é política de gêneros, “o Canadá é o país mais assutador do planeta”. Assutador para os homens que sofrem com a injustiça, certamente, mas não para os outros canadenses que ainda não cairam nas garras deste sistema, que ainda se mantém indiferentes a misandria dominante nas instituições que definem e moldam nossa cultura.

4 comentários:

  1. Gostei de ler isso, ando meio cansada de blogs "feministas" que transformam mulheres em coitadinhas. Não nego que elas são vitimas de violência, mas violência não enxerga gênero ou idade.
    bjs
    Jussara

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  2. Independentemente do sexo, vítimas recorrentes costumam ser autoras de sua própria tragédia.
    Agora essa coisa de proteger minorias, gêneros e sub-gêneros é um porre.
    Sou homem, quase branco, bem de vida, feliz, sem qualquer limitação física observável e ainda não cheguei à terceira idade. Quando é que vão cuidar da minha minoria ?

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  3. Jussara, bem colocado.

    Flávio, kkkkk

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  4. Vou indicar teu blog para a Dama de Cinzas porque esse tema é muito bom de ser discutido.

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